EFEMÉRIDES/EFEMERIDADES (tempo aprox. de leitura: 3 min.)
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Quando comecei a trabalhar na Marinha Mercante, eu não tinha noção de muitas coisas que se tornariam rotinas na minha vida de Imediato num Conteineiro. Não parei para perceber alguns aspectos que me acompanhariam nesse período e que marcariam para sempre a minha vida.
Não deveria ser natural a desatenção que temos com várias coisas que nos cercam e que, estupidamente, são importantes.
É difícil de explicar a muitas pessoas a saudade que temos da nossa cama, do nosso travesseiro e de várias outras “coisinhas” que percebemos ausentes quando estamos embarcados. Também é difícil de explicar a saudade de algumas coisas vividas a bordo, quando estamos desembarcados.
Sim, somos pessoas dicotômicas que entendem muito bem (ou lutam para entender) a citação atribuída a Platão: “Existem três tipos de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar”.
Das saudades que tenho da vida de Imediato, a “rotina” mais marcante é a de presenciar, quase que diariamente, de camarote (passadiço), os espetáculos do nascer e do pôr do Sol.
Minha relutância de classificar esses espetáculos como rotina, obrigam a presença das aspas. Como chamar de “rotina” esses momentos que todo dia acontece, mas NUNCA se repetem? Efemérides. Efêmeros.
Criei a consciência de que a rotina da vida, no mar ou em terra, não significa constância. Nascer e pôr do Sol, embarque e desembarque, saudade e desatenção/desapego.
Tudo “facilmente” explicável no campo da Matemática denominado Teoria do Caos; a ordem (rotina) na não-linearidade. Tentamos e tendemos a enxergar rotinas e fórmulas até nas inconstâncias da vida, bem como podemos vislumbrar as singularidades das coisas que parecem ser meras rotinas.
Pouco tempo depois que abandonei a vida no mar, enfrentei problemas de saúde que, mais uma vez, impôs novas rotinas e novas saudades; inesperadas. Foi-me imposto um novo conceito: Sobrevida (tempo de vida restante, friamente calculado estatisticamente; mais uma vez, Matemática). Teoricamente, não teria mais vida, mas sobrevida.
Tudo indica que superei essa fase (remissão: outro conceito aprendido), mas foi nessa época que me lembrei das divagações e conclusões sobre a saudosa “rotina” do nascer e pôr do Sol, passando a usar outro Kotowaza (provérbio japonês): NICHI NICHI KORE KOJITSU (Todo dia é um bom dia!).
Vejo, na monotonia das “rotinas”, as singularidades, as novidades e inconstâncias. Renovação!
Aprecio as efemérides e as efemeridades, habilmente disfarçadas em cada dia aos olhos dos incautos.
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Leonardo Seixas (Diretor de Marketing)







